domingo, 28 de agosto de 2011

Falando de Umbanda...

A Umbanda

É muito prazeroso, ao mesmo tempo em que é necessária muita responsabilidade, falarmos de Umbanda. Uma religião repleta de mistérios, magias e ainda muito discriminada – por pura falta de conhecimento e também por atitudes de pessoas que dizem praticar a Umbanda, mas que na verdade, no que elas fazem não existe nada de Umbanda.


Então para começarmos vamos pensar juntos sobre o que é a Umbanda?


Meu tutor em Teologia de Umbanda, Alexandre Cumino, tem uma frase que eu considero como uma forma muito simples, mas extremamente realista e lógica para descrever a Umbanda: “Umbanda é religião, e portanto só pode fazer o bem”.


O Alexandre foi muito feliz com esta explanação e eu concordo plenamente. Uma religião é a ligação através da qual procuramos o divino, Deus (ou qualquer outra nomenclatura que você prefira utilizar, independente de sua religião), e consequentemente, só há de fazer o bem para as pessoas. Caso contrário, teríamos que aceitar que Deus permite que façamos o bem e o mal em seu nome e para seus filhos. E isto, como todos nós sabemos, é a mais pura inverdade que pode existir.


Outros pontos que muitas pessoas ainda confundem são:


- A Umbanda é originária do Kardec (lembrando que a forma correta é espiritismo e não kardecismo ou kardecista)? Ou é do Candomblé?


- É uma religião trazida da África?


- Exu é o diabo?


- Sou médium de Umbanda. Por que tenho este carma? Fui a pior das pessoas em outra vida, né?


- Através da Umbanda, posso ficar rico ou ter o esposa/marido do(a) vizinho(a)?


Isso é o que ouvimos quase em todas as giras. E muitas vezes, até mesmo de umbandistas iniciantes.


Se você pensa assim, não há do que se envergonhar, pois esta é a visão que acompanha nossa religião há muitas décadas – infelizmente. É resultado de dogmas impostos por outras religiões e por pessoas como descrevi logo acima, que não tem um fundamento, esclarecimento ou o menor conhecimento sobre o que é a Umbanda.


Primeiramente, para translucidar este assunto, vamos identificar o que não é Umbanda. Certo? Então vamos lá...


A Umbanda não é derivada nem do espiritismo e nem do candomblé. Um ponto em comum entre estas três religiões é a prática da mediunidade, mas candomblé acredita na incorporação dos Orixás e é totalmente cantado em dialeto africano, de acordo com a origem da nação cultuada. Como exemplos podem citar as nações de Angola e Nagô. E o idioma mais falado é o Yorubá.


Já o espiritismo, que foi codificado por Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail – cientista que trabalhava no Instituto Pestalozzi, na França), em meados de 1854, não tem culto aos Orixás e trabalha com a doutrinação de espíritos.


Mas a Umbanda trouxe para si alguns fundamentos de outras religiões através de seus médiuns, pois antes de serem umbandistas, estas pessoas – lá no começo – eram católicos, espíritas, esotéricos e por aí vai... Este é o motivo de termos Casas que praticam a Umbanda mais ou menos afro. Ou Casas que praticam a Umbanda mais ou menos esotérica, hinduísta etc. E em nenhum momento podemos falar que esta ou aquela trabalha com a forma correta ou com a forma errada, pois cada uma teve uma escola diferente, mas as bases são sempre Umbandistas, e isto não varia.


Agora, talvez, o assunto que carrega o maior de todos os falsos dogmas: Exu é o diabo?


Em definitivo e certeiro já vamos responder para que não haja maiores dúvidas: NÃO.


Então quem são os Exus?


Os Exus e as madames Pomba-Giras são espíritos guardiões (vale como nota que não estamos debatendo sobre o Orixá Exu, e sim sobre as entidades que se manifestam em sua irradiação). São eles os responsáveis, por exemplo, pela defesa dos médiuns e Casas, contra investidas de espíritos trevosos, quiumbas e perturbadores. São espíritos dotados de coragem ímpar e que trabalham em defesa da “luz” nas trevas. Assim como toda e qualquer outra entidade que se manifesta através da Umbanda, Exú também se manifesta para prestar a caridade. Exu não pratica o mal para que você possa se dar bem na vida.


A Umbanda é uma religião Brasileira, pois foi fundada no plano material em 16 de novembro de 1908, pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, através do médium Zélio Fernandino de Moraes, na cidade de Niterói (RJ). Até então, em nenhuma outra parte do mundo existia a Umbanda – não quero dizer que não existia a incorporação deste ou daquele guia (pois nos é sabido que médiuns já trabalhavam com pretos-velhos e caboclos anos antes), mas sim, de que não havia uma religião devidamente fundada com sua base, organização e tudo mais. Portanto, a Umbanda é uma religião BRASILEIRA, pois teve seu início em terras brasileiras!


Outro ponto fundamental é que a Umbanda é toda cantada em português e esta é uma das principais diferenças do candomblé, conforme conversamos acima.


Nosso pretos-velhos também têm nomes europeus, ou seja, a linha de pretos-velhos da Umbanda trabalha com o arquétipo do negro já batizado aqui no Brasil: pai Benedito, pai João, pai Joaquim, tia Luanda, pai Tomaz, vovó Maria Conga, tio Barnabé, pai Kalu etc.


Alguns dizem que a mediunidade é um carma e nos foi dado, devido a uma vida anterior repleta de atitudes condenatórias. Na Umbanda, não vemos assim. Entendemos que a mediunidade seja um dom de Deus, pois é uma forma de você emprestar sua matéria (corpo) para entidades mais evoluídas que você e para um único fim: ajudar e prestar a caridade. E nesse momento, onde você e entidade são um só, não pode de forma alguma ser banalizado ou desvalorizado, porque é um momento sagrado e único. É uma oportunidade ímpar para contribuir com a evolução de seus semelhantes e com a sua própria.


Enfim, a Umbanda é uma religião brasileira e através dela buscamos um sentido para nossas vidas e uma ligação com Deus e os Orixás.


Abaixo, ficam algumas frases que lhe ajudarão a entender melhor a Umbanda.


Caboclo das Sete Encruzilhadas, que incorporava em Zélio: “Umbanda é a manifestação do espírito para a prática da caridade” e “Umbanda é Humildade, amor e caridade”.


Ronaldo Linares: “Umbanda é uma religião espírita ritmada, ritualizada, euro-afro-brasileira.”


Caboclo Mirim, que incorporava em Benjamim Figueiredo: “A Umbanda é a escola da vida” e “Umbanda é coisa séria para gente séria”.


Rubens Saraceni: “Umbanda é o ritual do culto à natureza” e “Umbanda é sinônimo de prática religiosa e magística caritativa”.


Renato Ortiz: “Umbanda não é um sincretismo de culturas, a Umbanda é síntese da cultura brasileira”.


Alexandre Cumino: “Umbanda é religião, portanto, só pode fazer o bem”.


Por Cristiano Janjacomo

http://www.tendadopaibenedito.com.br

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Mensagem do Velho ao Moço.



Você já foi criança um dia... mas os anos se dobraram e fizeram de você um jovem, quase um adulto...

E agora você me olha com certo desprezo só porque muitos anos se dobraram para mim e hoje eu sou um velho...

Você observa minhas mãos trêmulas e encarquilhadas e se esquece que foram as primeiras a acariciar as suas, inseguras na infância.

Critica os meus passos lentos, vacilantes, esquecendo-se de que foram eles que orientaram seus primeiros passos.

Reclama quando lhe peço para ler uma palavra que meus olhos já não conseguem vislumbrar com precisão, esquecido das várias palavras que eu repeti inúmeras vezes para que você aprendesse a falar.

Fala da lentidão das minhas decisões, esquecendo-se de que suas primeiras decisões foram por elas balizadas.

Diz que eu sou um velho desatualizado, mas eu confesso que pensei muito pouco em mim, para fazer de você um homem de bem.

Reclama da minha saúde debilitada, mas creia, muito trabalho foi preciso para garantir a sua.

Ri quando não pronuncio corretamente uma palavra, mas eu lhe afirmo que esqueci de mim mesmo, para que você pudesse cursar uma Universidade.

Diz que não possuo argumentos convincentes em nossos raros diálogos, todavia, muitas foram as vezes que advoguei em seu favor nas situações difíceis em que se envolvia.

Hoje você cresceu...

É um moço robusto e a juventude lhe empolga as horas...

Esqueceu sua infância, seus primeiros passos, suas primeiras palavras, seus primeiros sorrisos...

Mas acredite, tudo isso está bem vivo na memória deste velho cansado, em cujo peito ainda pulsa o mesmo coração amoroso de outrora...

É verdade que o tempo passou, mas eu nem me dei conta...

Só notei naquele dia... naquele dia em que você me chamou de velho pela primeira vez, e eu olhei no espelho...

Lá estava um velho de cabelos brancos, vincos profundos na face e um certo ar de sabedoria que na imagem de ontem não existia.

Por isso eu lhe digo, meu jovem, que o tempo é implacável, e um dia você também contemplará o espelho e perceberá que a imagem nele refletida não é mais a que hoje você admira...

Mas você sentirá que em seu peito o coração ainda pulsa no mesmo compasso...

Que o afeto que você cultivou não se desvaneceu...

Que as emoções vividas ainda podem ser sentidas como nos velhos tempos...

Que as palavras amargas ainda lhe ferem com a mesma intensidade...

E que apesar dos longos invernos suportados, você não ficou frio diante da indiferença dos seres que embalou na infância...

Por isso eu lhe aconselho, meu filho:

Não ria nem blasfeme do estado em que eu estou, eu já fui o que você é, e você será o que eu sou...

* * *

Aquele que despreza seus velhos, é como galho que deixa o tronco que o sustenta tombar sem apoio.

A ingratidão para com os que nos sustentaram na infância é semente de amargura lançada no solo, para colheita futura.

Assim, façamos aos nossos velhos o que gostaríamos que nos fizessem quando a nossa idade já estiver bastante avançada.

Redação do Momento Espírita.
Disponível no livro Momento Espírita, v. 1 e no CD Momento Espírita, v. 3, ed. Fep.
Em 04.05.2009.



Sentir Deus.

O jovem professor entrou na sala de aula e encontrou seus pequenos alunos debatendo, calorosamente, sobre Deus.

Como poderiam acreditar que Deus existe se não conseguiam vê-Lo, nem tocá-Lo?

Percebendo o nível da discussão filosófica das crianças, o professor pediu licença e propôs a elas uma experiência.

Colocou sobre a mesa dois copos transparentes com água, e perguntou se elas podiam notar algo de diferente entre um e outro.

Os pequenos responderam, em uma só voz: Nenhuma diferença. Ambos contêm água limpa.

Então, o jovem deu a cada um deles uma colher, pedindo-lhes que provassem um pouco do conteúdo de cada copo.

Quando todos haviam experimentado tornou a perguntar: E então, ainda afirmam que são iguais?

E a resposta foi outra: Não, num dos copos a água é doce, no outro não é.

Aí o jovem educador disse: Acontece o mesmo com relação a Deus. Para perceber a Sua existência é preciso experimentá-Lo.

Não podemos vê-Lo nem tocá-Lo, mas podemos senti-Lo.

E percebendo que a classe estava ávida para saber mais a respeito dessas questões, o professor continuou com seus argumentos.

Deus não pode ser tocado com as mãos, nem medido com fita métrica, pesado na balança, ou visto com os olhos físicos.

Mas podemos sentir Deus ao tocar as pétalas de uma flor, sua textura aveludada, seu perfume, sua coloração única...

Não podemos medir Deus, mas podemos mensurar Sua grandiosidade nas dimensões do Universo, nos astros a girar no firmamento, nas manhãs claras e belas, na organização dos seres infinitamente pequenos.

Não podemos pesar Deus, mas podemos perceber Sua força geradora e mantenedora, nas Leis que regem e sustentam constelações, nebulosas e galáxias, suspensas no espaço sem fim.

Podemos observar o Criador no impulso das ondas que agitam os oceanos, no instinto dos animais, na dança das estações.

Não conseguimos ver Deus com os olhos, mas podemos sentir Deus nas múltiplas expressões do bem e do belo, do amor criativo e ativo, na chama de esperança que vibra na alma de cada filho Seu.

Deus é invisível, mas Sua presença é evidente nas várias expressões do dinamismo da vida:

No sangue que corre em nossas veias...

No oxigênio que respiramos...

No sol que dardeja ouro sobre a Terra, possibilitando a vida...

Na lua, satélite silencioso e solitário, que vigia o planeta durante as noites...

Na chuva, que cai de mansinho acordando as sementes que dormem sob o solo generoso...

Na brisa leve que conduz o pólen e permite a geração das flores.

Ah, as flores...

As flores são a assinatura do próprio Criador no quadro da natureza...

* * *

O observador atento não enxerga só com os olhos do corpo...

Como disse o poeta ao seu Pequeno Príncipe: O essencial é invisível aos olhos. Porque os olhos são extremamente limitados.

Os filósofos, os poetas, os artistas, os profetas e, por que não, os cientistas, veem mais com a alma do que com os olhos.

Para enxergar bastam os olhos mas para ver é preciso um sentido a mais...

Pense nisso e experimente sentir Deus.

Redação do Momento Espírita, com base em palestra de
Cristian Macedo, no Centro Espírita Ildefonso Correia, em 14/02/2005.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 11, ed. Fep
Em 31.01.2010.

sábado, 13 de agosto de 2011

O erro.

Quem é que nunca fez nada de errado?

Naturalmente, todos nós, algumas vezes na vida, cometemos erros, seja intencionalmente ou não.

O erro faz parte do aprendizado.

Por trás de todo erro está a ignorância, o orgulho, ou o egoísmo.

O ignorante erra por desconhecer, o orgulhoso por se julgar mais importante do que as demais pessoas e o egoísta por pensar somente em si.

O que caracteriza o erro não são os padrões sociais ou as diretrizes éticas estabelecidas, mas sim suas conseqüências sobre o indivíduo e a sociedade.

O que torna algum gesto desacertado são os seus efeitos malignos.

Erramos quando nossos atos ferem alguém. Quando invadimos o direito à felicidade do próximo. Quando destruímos, ao invés de construir.

Numa palavra, erramos sempre que geramos sofrimento para os outros ou para nós mesmos.

Por estar vinculado ao sofrimento, vemos que o erro não é um bom negócio.

Entretanto, se formos sábios, saberemos tirar frutos dele.

De uma forma muito especial, Deus sempre cuida para que, dos nossos equívocos, tiremos algo de bom.

Isto acontece por meio da Lei de Causa e Efeito, que faz com que todo o bem, como todo o mal realizado retorne ao seu realizador.

No campo dos sofrimentos isto se chama expiação.

Mas para tornar o processo menos penoso, podemos recorrer ao arrependimento e à reparação.

Arrepender-se é, portanto, o primeiro passo na correção de um desatino.

Existem pessoas que só se arrependem dos seus erros quando estão colhendo as conseqüências.

Quanto mais demoramos a nos arrepender, mais sofremos.

O arrependimento deve provocar um desejo de reparação, que consiste em fazer o bem a quem se havia feito mal.

Mas nem todas as faltas implicam em prejuízos diretos e efetivos.

Quer dizer, nem sempre teremos de expiar, ou sofrer.

Nesses casos, a reparação se opera fazendo-se o que deveria e foi negligenciado. Cumprindo deveres desprezados, missões não preenchidas.

Quem tem sido orgulhoso, buscará tornar-se humilde. O rude procurará ser amável. O ocioso passará a ser útil e o egoísta, caridoso.

Costuma-se dizer que errar é humano.

Nós poderíamos inverter o raciocínio dizendo que corrigir erros é que é humano, pois o homem não pode desprezar a sua fantástica capacidade de racionalização ao persistir em atitudes que somente o infelicitam.

Reconhece-se, então, o homem de bem pela capacidade com que ele substitui seus defeitos por virtudes superiores.

* * *

Os efeitos dos nossos atos se estendem, muitas vezes, para além da existência atual.

Isso explica os sofrimentos atuais, cujas causas não se encontram no presente.

Várias vezes estamos recebendo hoje os efeitos de nossos atos de vidas passadas.

Nenhum Espírito atinge a perfeição, sem antes reparar os erros do seu caminho evolutivo.

Por isso, hoje é o dia de fazer o melhor!


Redação do Momento Espírita
Disponível no CD Momento Espírita, v. 1, ed. Fep.
Em 11.01.2010.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Oxum-Mãe sagrada de Umbanda.

Ora Ieieu ô ó minha mãe
Ora Ieieu vem me valer
Na queda da cachoeira
Eu fazia a minha prece mãe Oxum me protegei
E com seu manto sagrado
Me cubra e me ampare
Ó minha mãe
Tire as dores da minha vida
Me dê a paz e a caridade
E com sua beleza
Me dê a proteção
Mamãe Oxum me estenda a vossa mão
Eu bato minha cabeça para louvar a mãe senhora
Que com o seu abebê
É tão faceira e tão formosa
A sua dança encanta
Por onde ela passa
Ó mãe sagrada de Umbanda olhe o meu caminhar
Ora Ieieu ô
Hoje aqui eu venho lhe agredecer
Mãe Oxum me deu a mão
Me deu sua proteção
Hoje eu tenho sentido em meu viver
Eu quando eu errar eu pedirei o seu perdão
Mãe Oxum na Umbanda,Senhora da Conceição

Ora Ieieu Oxum!

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